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Varejo é a melhor aposta do ano

Entrevista com Rubens Sardenberg

Após ponderar as diversas variáveis que compõem o atual cenário econômico, o economista chefe da Federação
Brasileira dos Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, destoa do clima de relativo pessimismo e chega a ensaiar
algum otimismo em sua análise do possível desempenho da economia brasileira neste ano. Sem maniqueísmos
desnecessários, ele considera o varejo a melhor aposta para este ano e assegura não haver indícios de que os bancos
reduzirão suas verbas de marketing em função de arrefecimento dos negócios.

M&M - Qual cenário mais provável para a economia brasileira em 2009?
R.S
.-A alta mais expressiva no crédito deverá ser observada no segmento de pessoa jurídica, que, por conta da migração da captação externa para interno, poderá subir até 20%. Entre as pessoas físicas, a elevação ficará próxima a 15%.


M&M - Quais seriam as variáveis que desenhariam o panorama mais pessimista e o mais otimista?
R.S.
- No cenário otimista, a crise lá fora seria resolvida de uma forma bem mais rápida, e a economia norte-americana, em especial, não ingressaria em uma quebra de atividade tão pronunciada, o que permitiria ao Brasil atingir patamares mais elevados de crescimento, cera de 3,5% ao ano, com uma inflação um pouco mais alta de 5%. Já em um ambiente mais pessimista, a crise se arrastaria mais, e a demora na sua resolução comprometeria os indicadores internos.
 

M&M - Quais setores podem sair fortalecidos dessa turbulência?
R.S.
- Diante dessa conjuntura, os setores voltados para o consumo doméstico, de menos valor, serão os que tendem a ter um bom desempenho. O setor de varejo é a melhor aposta, pois a expectativa de queda de renda não afetará tão significativamente esse setor. Acho também que segmentos que sofrem muita competição de importados tendem a ter uma situação melhor, já que, com ajustes no câmbio, o preço dos importados deve aumentar. Setores de infra-estrutura muito ligados a investimentos públicos e seus fornecedores podem ter um ano acima da média, bem como os concessionários de setores básicos, os chamados utilities,  como energia elétrica.
 
M&M - Se confirmado o cenário de alta no PIB de 2,5%, podemos classificá-lo como favorável diante dos estragos
observados em outros países?
R.S. -
É esse o diferencial do Brasil em relação aos países desenvolvidos e à maioria dos emergentes. Estamos discutindo o tamanho de crescimento. Aqui no Brasil, a expectativa é de que não tenhamos recessão mesmo. Acho que para alguns setores as perspectivas são mais complicadas. Há certo consenso de que teremos no Brasil um primeiro semestre pior e um segundo melhor. Todo esse processo de ajustes que estamos vendo, como férias coletivas, vão impactar a economia agora.

 

Fonte: Revista Meio & Mensagem, nº1341,12/01/09,p - 6 e 7


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